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18.08.2008

BIENAL DO LIVRO 2008

Fui antes da invasão das escolas. Para minha surpresa foi melhor do que eu esperava. Manquei cinco horas por todos os corredores do único Pavilhão. Consegui ver tudo e algo mais. Tive conversas ótimas. Senti falta da Sereia.
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MINUS Editoras de Revistas – Marketing – Espaço Infanto-juvenil

Editoras de Revistas
ATENÇÃO: BRINDADA (ataque com brindes)! - CONSELHO DE ANTEMÃO: Evite de passar perto das Ed. de "mídia que não é livro" sob pena de ser ameaçado por vendedores das Editoras de revistas, na melhor da hipóteses por toque no ombro, na pior por um empurrão para tomar um BRINDE. No primeiro sinal do “psst, moço” NÃO SE ENTREGUE, é só um BRINDE, ande mais rápido para se safar do impacto, eles não te alcançarão, tenha fé, não espere pelo “HEY MOÇO” e - quando gritarem “MOÇO!!!” - esteja fora do alcançe daquelas criaturas...
Marketing
Eventos: “Uma atividade cultural a cada três minutos”
É “DO LIVRO” e não “DA VENDA”, “DO DESCONTO” ou “DA MÍDIA”, chega de revistas, rádio, tv e brinquedinhos.
Espaço Infanto-juvenil
palco um maltrata o violão e come o microfone, com a assistente pulando com crocodilo na mão para engolir a voz do palco dois que vira pantomima de LER em voz alta para as crianças etc. – deprimente, acho que prefiro as crianças correndo nos corredores
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PLUS Organização/Composição/Traslado
As médias e pequenas (Cosac Naify, Aleph, Berlendis, Limiar, Andross, Contexto)


A ORGANIZAÇÃO melhorou, porém demorei 5 a 10 minutos para receber o crachá sem razão nenhuma (tinha preenchido o formulário por internet), mas ok, alles noch im grünen Bereich (ainda tá dentro), pois não tinha fila.
A COMPOSIÇÃO também melhorou, menos Megalivrarias, “.com”, editoras de igrejas e ações de aeróbica, desta forma um melhor equilíbrio, uma pena apenas que não tinha mais editoras pequenas.
TRASLADO - O ônibus ficou naquela distância, mas uma vez lá, a organização foi espantosamente simples e rápido. É o poupa-tempo da BIENAL.

RECOMENDO: “das A und O”
Tome seu tempo no Corredor O – vale a pena: Cosac Naify, Aleph, Limiar, Andross, Contexto

Cosac & Naify
PARE E CURTA! IMPOSSÌVEL passar sem parar e sem se deliciar com estes livros. Para quem gosta de LIVROS e não apenas de leitura, o estande da Cosac Naify é o OLYMPO. Não deixe de levar o catálogo de livros infantis (o geral não ficou pronto), ele é mais lindo do que muitos livros de outras editoras. Olhe todos os livros. Cosac Naify por si vale a visita, como sempre.

Aleph
Era fanático por ficção científica até me exilar aqui, mas perdi um pouco da conexão no decorrer dos anos – até ontem, quando vi que finalmente foram lançados o segundo e o terceiro livro da trilogia do Neuromancer (Neuromancer, Count Zero, Mona Lisa Overdrive) do William Gibson pela Editora Aleph.
Tive uma fantástica conversa com Delfin. Acendeu a paixão de novo - danke dafür! Esta editora e as obras publicadas são imprescindíveis para quem gosta de ficção científica. Escolha de clássicos de primeira: Philip K. Dick, Ursula K. Le Guin, Arthur C. Clarke, Isaac Asimov e Anthony Burgess e dos melhores mais “novos” como William Gibson e Neal Stephenson.

Limiar
Obrigado pela conversa, Eliana! Fiquei fascinado pela “obra maluco” do médico Clóvis que juntou por 30 (!) anos palavras para o Dicionário das palavras brasileiras de origem indígena, incluindo palavras de cinco linguagens indígenas e seu significado diferenciado em várias regiões. Não se trata de um trabalho acadêmico, segundo o autor, o que não significa que ele terá alguma qualidade de um livro que leve as popularização das linguas indigenas, como alguns acham. A breve olhada que eu dei no livro não me parece sustentar esta tese, mas meus comentários ficarão para depois. De qualquer forma, achei admirável o louco trabalho de fazer um dicionário destes com 720 páginas e louvável o trabalho da editora de publicar esta obra. A gama dos livros desta editora é impressionante e mostra a coragem da editora.

Andross
Chamou minha atenção pelos ares alternativas e underground e o dilúvio de antologias, que pode ser uma forma interessante de descobrir novos autores. Não li nada deles, mas a Andross conseguiu catar meu interesse, edson, vou ficar de olho.

Contexto
Sempre fiquei fascinado pela escolha dos temas e pela série dos “Os”. Vale a pena visitar.

E o Corredor A também tem seus bons lugares:
Berlendis & Vertecchia
Wow – que ignorância! Não conheci esta Editora. Chamou minha atenção pelas capas. Se a Rê soubesse que a Berlendis e Vertecchia Editores existe, talvez não estivesse se mandada. Traduziram Pirandello, Buzzati, Moravia, Ginzburg, Pavese e inúmeros outros escritores italianos. E tem um programa infantil e juvenil muito interessante, voltado á arte, além de outras coleções.
Danke, Márcia, pela ótima conversa e o excelente atendimento, os livros da Berlendis e Vertecchia Editoria certamente entrarão na minha mala.

E não deixe de passar pelos estandes da Cia das Letras, Martins Fontes, Brinque Book e Konrad.

06.08.2008

Freibier na Bienal ?

Ai de nós, amantes dos livros!

A Bienal voltará a São Paulo, a cidade dos carros, onde muitas vezes se mede a cultura por números. Números de livros, editoras, estandes, países representados e cabeças de visitantes. Professores: hora da contagem, soltem as crianças! A criança não sabe ler? E daí? Cabeça é cabeça!

Na última Bienal de SP, os alto-falantes não paravam de chamar os grupos das escolas para se reunirem em filas que só se contava em dúzias, ouvia-se um barulho ensurdecedor de gritos de crianças nos corredores se divertindo. Pelo menos, uma coisa boa.

Naturalmente, a maioria delas nem sequer olharam para os livros (com exceção de alguns cujo interesse se voltou à turma da Mônica), outros olharam, talvez, para as capas, pois certamente não sabiam ler, e outras passearam com seu crachá gigante com nome e endereço no pescoço para garantir sua “devolução”.

Será que nesta Bienal vai ter Freibier para quebrar outro recorde?

Eu ainda prefiro a estatística do governo do Estado de São Paulo aplicada em São Francisco Xavier – a do visitante fantasma.

É muito simples: em vez de encher o evento com pessoas que ainda não sabem ler, cada visitante conta cinco vezes. Funciona assim: cada visitante recebe uma moeda de plástico (senha) e a entrega ao entrar na tenda do evento (neste caso podia-se trabalhar com pavilhões, p.ex.). No final, conta-se todas as moedas. Assim, um visitante que freqüentou cinco eventos / entrou em cinco o pavilhões ou em um pavilhão várias vezes, se torna cinco visitantes. È simples, mas genial. E as quatro crianças que não se necessita para chegar aos números pretendidos podem brincar lá fora, desde que o tempo não estrague a festa, é claro.

Afinal das contas, uma criança que não sabe ler não é muito diferente de um visitante fantasma na estatística - com uma diferença, é um fantasma gritante.

Por isso, não ia à Bienal em São Paulo desta vez. Não ia mesmo. Ia pro Rio no ano que vem. Ia esperar a Bienal voltar à Imigrantes. Não ia rodear na Tietê para procurar o ônibus gratuito escondido atrás da passagem que pára tão longe da entrada que dá a impressão que é mais perto ir a pé da rodoviária. Não ia lutar com a má organização na hora de pegar o crachá. Não ia entrar embaixo do permanente dos alto-falantes.

Mas vou. Vou para me encontrar com o Petê. Se não tiver Freibier, vou para beber letras, boas conversas, gritaria e som de alto-falantes.

Prost!


E agora tudo re-escrito em alemão

Freibier auf der Buchmesse ?

Wir Armen, Liebhaber des Buchs!

Dieses Jahr ist die Buchmesse wieder in São Paulo, der Stadt der Autos, in der Kultur oft nach Zahlen gemessen wird. Gezählt werden die Anzahl ausgestellter Bücher, Verlage, Stände, repräsentierte Länder und Besucherköpfe.

Lehrer, jetzt wird gezählt, her mit den Köpfen ! Das Kind kann nicht lesen ? Na und ? Wen juckts! Kopf ist Kopf !

Bei der letzten Buchmesse in São Paulo vor zwei Jahren musste man stundenlang Lautsprecheransagen bei dem Versuch ertragen, die Klassen wieder „zusammenzutreiben“. Im äußeren Korridor standen Dutzende von Klassen in Zweierreihen. Ein ohrenbetäubender Lärm tobender und kreischender Kinder ließ vermuten, dass zumindest diese ihren Spass hatten. Immerhin.

Die meisten Kinder kümmerten sich natürlich nicht um die Bücher. Einige warfen vielleicht einen Blick auf den einen oder Buchdeckel, einen Bildband oder Comics, aber viele halbe oder gar Viertel-Portionen konnten ganz offensichtlich noch gar nicht lesen. Und wieder andere waren noch so klein, dass die umgehängten Schilder mit Adresse und Namen größer als ihre aufgerissenen Augen zu sein schienen.

Ich frage mich wirklich, ob es diesmal (bei der 20. Buchmesse) Freibier gibt, um die Besucherzahlen weiter zu steigern.

Mir wäre es lieber gewesen, die Veranstalter hätten sich an trickreiche Statistik der Geisterbesucher bei der Zählung der Besucher der Literaturveranstaltung in São Francisco Xavier gehalten.

Diese Statistik ist eigentlich ganz einfach: statt die Veranstaltung mit kleinen Besuchern vollzustopfen, die noch nicht lesen können, zählt jeder Besucher einfach fünfmal. Das geht so: jeder Besucher erhält vor der Veranstaltung einen Plastikchip, den er am Eingang dann wieder abgibt (bei der Messe könnte man das Gleiche bspw. mit Pavillons machen). Am Ende zählt man dann einfach alle Chips. Wer fünf Pavillons besucht, zählt fünfmal. Das macht vier Kinder weniger, die dann im Freien statt in der aufgeheizten Halle spielen. Einfach, aber genial. Jedenfalls, solange das Wetter mitspielt.

Ein Kind, das nicht lesen kann, ist bei der Besucherstatistik einer Buchmesse nicht mehr als ein Geisterbesucher. Es gibt allerdings einen wesentlichen Unterschied: es ist ein schreiender Geisterbesucher.

Eigentlich hatte ich mir deswegen vorgenommen, diesmal nicht zur Buchmesse in São Paulo zu gehen. Wirklich nicht. Ich wollte nächstes Jahr wieder nach Rio gehen. Oder darauf warten, dass die Buchmesse wieder an der Imigrantes stattfindet. Ich wollte nicht wieder am ZOB Tietê rumirren, um den kostenlosen Shuttle zu finden, der dann soweit vom Eingang entfernt hält, dass man unweigerlich darüber nachdenkt, ob man zu Fuss vom Busbahnhof nicht schneller gewesen wäre. Ich wollte mich eigentlich nicht wieder mit der schlechten Organisation beim Abholen der Besucherausweise abquälen. Und schon gar nicht in der kalten und hässlichen Anhembi-Halle von permanenten Lautsprecherdurchsagen malträtiert werden.

Trotzdem werde ich hingehen. Ich werde hingehen, um mich mit meinem Kollegen Petê zu treffen. Und um, falls es doch kein Freibier geben sollte, unterhaltsame Gespräche, Geschrei und Lautsprecherdurchsagen zu trinken.

Prost!